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Não é só o amor. É o lifestyle.

Confissões de uma Maria Parafina

O papo foi bom e, com as cervejas que ele fez questão de pagar durante a primeira noite, ficou ainda melhor.
O beijo foi uma conexão deliciosa e rápida para um intensivo de noites de bar em bar, encontros, jantares e mensagens que preenchiam o dia até a chegada do próximo momento juntos que passou a virar rotina.
O mês passou voando sem tempo para se perceber o tamanho ou espécie dos sentimentos envolvidos. Tudo foi sendo levado como mais um dia normal na vida deles dois.

Até que os dias normais ganharam um off.

E com um dia juntos na praia tudo mudou.
Ela que grita aos quatro ventos o orgulho de sua independência, entrega nas mãos dele o carro, sua cadeira de praia e todos os planos do dia. Passando de praia em praia ela vai ficando mais feliz. Aquela felicidade simples, pequena, que a deixa em silêncio. Como se tivesse saboreando internamente cada minuto daquele sentimento.
Mas é depois de conversarem, dormirem no sol abraçados, que ela se realiza. Feliz ela fica quando, no fim de tarde, o swell entra e ele se vai.
Porque mais do que gastar horas juntos, ela se completa observando ele no ritual do surf. Ela gosta do cheiro e do barulho da parafina sendo raspada na prancha. Gosta de ficar responsável por tudo que é dele enquanto ele surfa. O beijo de despedida faz ela morrer de saudades mesmo sabendo que estarão juntos depois de algumas ondas. E ela curte cada momento dessa saudade com os olhos vidrados no mar.
Ela acredita que esperar ele sair do mar é um tempo investido e não perdido. Porque sabe que ele pode demorar, mas vai chegar feliz e morrendo de saudades, com um beijo molhado e salgado. Do jeito que ela gosta.

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