O paraíso é logo ali!

Nessa terça, Minha Praia Favorita no Mundo vai testar seu amor pela praia, te levando pra um lugar paradisíaco e tranquilo, mas, ao contrário dos que foram mostrados até agora aqui nessa sessão do blog, com muito menos estrutura. Vida roots mesmo! Com 100% de contato com a natureza, pra renovar sua paz e seus pensamentos.

Vamos para um paraíso escondido, aqueles tesouros que a natureza reserva pra poucos privilegiados e que, como é o caso, está muito mais perto de nós do que podemos imaginar.

Não sou tão sortuda a ponto de já ter ido até lá, apesar de ter passado bem perto muitas vezes. Mas tive a sorte de conhecer uma amiga maravilhosa, que ama praia tanto quanto eu e que tem a Praia do Maço ou Vale da Utopia, como sua praia favorita no mundo.

Ficha técnica da entrevistada-mochileira: Charmeni Vargas, estudante de Comunicação (Publicidade e Propaganda), em processo de descobertas, aprendizagens, afirmações, abandonos e infinitas possibilidades. Entediada com o frio e a chuva. De mal com São Pedro.

Charmeni, a Meni.

Charmeni, a Meni.

Estão prontos para a aventura? Então se desapeguem de todos os seus cacarecos materiais e ponham a mochila nas costas porque, pra chagar até a praia do Maço, você vai precisar apenas de você mesmo e suas pernas. Nada de carro, moto, barco ou avião.

O lugar localiza-se mais precisamente entre as praias da Pinheira e Guarda do Embaú em Santa Catarina. Isso mesmo! Aquelas praias que tanto já fomos de galera e com família, escondem um lugar mágico entre elas.

Vamos conhecer a praia, seu estilo e suas histórias pelos olhos e lentes da nossa entrevistada e, claro, com os meus comentários intrometidos em itálico.

Vai pra Praia – Como você conheceu a praia do Maço e como ela virou a sua praia favorita no mundo?

Charmeni – A primeira vez que fui no Maço fiquei menos de duas horas. Estávamos voltando do ano novo na praia do Siriú – SC e paramos para almoçar na Pinheira. Então um amigo convidou todos para fazer a trilha e conhecer o Maço. Estávamos entre uns 30 e apenas meia dúzia resolveu acompanhar nosso amigo na trilha, pois o sol escaldante, a preguiça depois do almoço e aquele sentimento de estar indo embora não favoreciam a aventura. Pois bem, um destes seis dispostos era o motorista do ônibus. Vale informar aqui que essas 30 pessoas eram de um grupo de amigos que resolveram passar o ano novo no Siriú acampados. Era comum juntarmos uma galera, muita comida e bebida e acamparmos em diversos lugares. Nesse ano, era virada de 2005 para 2006 e nossa terceira experiência no Siriú não tinha sido boa. Ao som de eguinha pocotó e uns raps pesados, o acampamento tinha sido um desastre (se pensarmos em fogueira e roda de viola, como de costume). Pois neste contexto de três dias na praia, porém sem dormir, eis que seguimos a trilha. Sobe, sobe e sobe. Quase arrependidos de ter encarado o desafio, surge o Vale da Utopia. A descrição do que se vê quando se chega ao topo da trilha não tem explicação. É tudo muito lindo! Descendo a trilha, chegamos à beira da praia. Depois do banho de mar refrescante começou chover. Nesse momento escutamos o pessoal do Bar do Mema, único estabelecimento comercial do lugar, tocando Raul Seixas. Até hoje me lembro do comentário que meu amigo Cris fez: “Cara, eu acho que o motora bateu o bus e a gente morreu. Estamos no paraíso.”

Não preciso dizer que o próximo acampamento do grupo, no caso o de carnaval de 2006, foi no Vale da Utopia.

Desta vez, fomos novamente com um ônibus cheio, em torno de 35 pessoas e, como eu estava de férias, não voltei com eles. Fiquei 21 dias na Praia do Maço (Que alegria! Quem aqui não tem o sonho de ir pra praia passar um simples feriado e nunca mais voltar? Posso garantir que vale muito a pena!).

Pôr do sol na chegada ao Vale da Utopia.

Pôr do sol na chegada ao Vale da Utopia.

Vista da Praia do Maço

Vista da Praia do Maço

O que de tão diferente e especial esse lugar tem?

O mais legal do Maço são as pessoas. Como a maioria acampa, fica muito fácil fazer amizades, tudo o que acontece lá é de forma colaborativa, todo mundo se ajuda e as coisas acontecem. O Mema (o dono do bar, tá gente?) e a família dele nos recebem sempre com muita alegria, incentivam os acampamentos, as rodas de viola, se interessam pela história de cada um, se divertem e se encantam tanto quanto nós com as belezas naturais e com a energia positiva do lugar. A gente sente que, nesse lugar, todo mundo é do bem. Por isso, Vale da Utopia.

Acamp!

Acamp!

 E como se sobrevive lá? O que tem pra comer?

Além da comida que o povo mesmo prepara no acampamento, com muitas verduras e legumes, o Bar do Mema oferece peixes, arroz, feijão, um sanduíche tradicional com ovo frito e tomate e, como não poderia faltar, as bebidas: cervejinha gelada e as cachacinhas de abacaxi, butiá e jabuticaba preparadas pelo Mesma (demais esse Mesma, não?!).

Bar do Mema visto de cima.

Bar do Mema visto de cima.

E visto bem de pertinho, cheio de charme.

E visto bem de pertinho, cheio de charme.

E à noite? Pra onde vai todo mundo?

À noite o encontro é no bar (do Mema, claro! Já tô me sentindo íntima do cara.). Junta todos os acampados com violão, bongô, chocalho e rola festa à luz de velas, já que não tem energia elétrica na praia (Leram isso, certo?! Muito roots! Adorei!). O que se pode fazer também, para variar um pouco, é encarar a trilha e curtir a nigth na Guarda do Embaú. Lá sempre rola uns showzinhos (esses sim, com luz, caso alguém prefira.).

Fez muitos amigos por lá? Conheceu o amor da sua vida?

Fiz muitos amigos. Quando o pessoal que estava comigo foi embora, eu fiquei acampada com três rapazes que moravam no Campeche e todo verão acampavam no Maço. (Hum! Nada mal! Aí está a vantagem de quem vai pra praia sozinho). Além deles, conheci muitas outras pessoas que estavam de passagem. O amor da minha vida não foi lá que conheci. Mas claro que rolou romance…

E como são as pessoas que acampam na praia do Maço?

As pessoas que acampam no Maço são um tipo bem específico. Geralmente pessoas que curtem a natureza e não se preocupam com infraestrutura. Porque lá não tem banheiro, nem energia elétrica. Então, não é todo tipo de pessoa que encara (Ah mas não é mesmo! Por isso que o lugar continua maravilhoso!). Outra coisa é que no chuveiro com água encanada do rio, que fica próximo ao bar (do Mema, tão ligados, né? Heheheheh…), onde os acampados e visitantes tomam banho, não é permitido usar xampu e nem sabonete comum, apenas biodegradável, para não poluir. É muito comum encontrar por lá artistas manuais, destes que fazem brincos e colares. Eles vêm do Brasil inteiro e ficam acampados na Praia do Maço. Já durante o dia, o Bar do Mema recebe famílias e muitas pessoas que passam por ali a caminho da Guarda do Embaú, pessoas que gostam de fazer trilhas e dão uma passadinha no Vale pra recarregar as energias e tomar uma bebida gelada.

Trilha em direção à Guarda do Embaú.

Trilha em direção à Guarda do Embaú.

E uma paradinha durante a trilha, já que ninguém é de ferro.

E uma paradinha durante a trilha, já que ninguém é de ferro.

O que você tem de mais especial pra nos contar de lá?

A coisa mais fantástica da Praia do Maço, pra quem é privilegiado e pode curtir sem urgência de ir embora, é justamente a paz e a calma que se consegue lá quando se cria uma rotina e vive o Vale como um todo. Lembro que a última vez que estive lá, em fevereiro de 2009, depois do almoço, sentei sozinha numa pedra de frente para o mar e fiquei olhando as ondas baterem forte nas pedras. É indescritível a emoção que senti. Mas posso afirmar que eu estava pronta para viver bem aquele ano e tudo que ele me proporcionaria (Sim. A gente entende que tem momentos muito simples, principalmente quando estamos de frente para o mar, que são muito difíceis de explicar. Mas que guardamos com muito carinho na nossa caixinha da felicidade. No caso de quem tem uma, né? Eu tenho!).

Passou por alguma experiência ruim lá? Como resolveu?

As vacas e os bois ficam soltos no Vale todo e é bem natural eles passearem pelo acampamento (segue o clima roots!). Uma noite eu estava dormindo, sem lanterna, sem vela, sem nada que pudesse iluminar e, de repente, ouço o barulho de um animal respirando fundo bem do lado da minha barraca. A vaca estava cheirando as frutas que eu tinha dentro da barraca (vaquinha assanhada!)!  Momentos de pânico no escuro! Eu não sabia se ficava quieta e esperava ela ir embora ou se falava alguma coisa. Meu medo era que ela viesse na direção da barraca e passasse por cima de mim. Rezei um Pai Nosso, uma Ave Maria, um Santo Anjo do Senhor e o bicho ali, cheirando minhas frutas. Até que decidi dar uns gritos e ela foi embora. No dia seguinte comprei uma lanterna.

O que te faria voltar pra lá amanhã?

Se amanhã fosse verão e, se o Bar do Mema abrisse, certamente amanhã estaria lá.

Dá pra morar na Praia do Maço? Você moraria lá?

Não rola morar no Maço. E, embora eu tenha um jeito meio “hiponga”, morar de fato no mato, sem energia elétrica, sem internet, sem chuveiro quente no inverno, é para um estágio acima da minha “hiponguice”.

Curtindo a praia e o bar. Do Mema, claro.

Curtindo a praia e o bar. Do Mema, claro.

Quem quiser ir pra lá vai como?

É barbada chegar no Maço. Mas vou logo avisando: só a pé. Nem carro, nem moto sobe a trilha de acesso e é de propósito que seja assim. Pois bem: chegando na Praia da Pinheira (SC), você passa a prainha e vai até o final da Rua Quatorze. Lá tem uma porteira e a trilha para o paraíso.

E aí, vai encarar? PRE-PARA!

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