O Seu Verdadeiro Eu na Praia

Para dar a largada em mais um final de semana de verão, quero compartilhar aqui no blog o informe comercial da Báril, escrito pelo poeta Fabrício Carpinejar e publicado ontem no jornal Zero Hora.

Fora a mensagem sutil e comercial direcionada para a venda de condomínios no litoral gaúcho, o texto traz uma mensagem muito verdadeira da transformação positiva que ocorre com a maioria das pessoas quando estão na praia. É mais uma tentativa de tentar explicar tanto amor.

Espero que gostem!

Boa praia e bom final de semana a todos!

Litoral do RS no blog Vai pra Praia!

Final de tarde no litoral gaúcho.

A Felicidade é Um Condomínio

Fabrício Carpinejar – Informe Comercial Báril – Jornal Zero Hora em 23.01.14

A praia é uma oficina de quimeras,

uma segunda vida que foi protelada

por falta de horário e oportunidade.

Ninguém é sua profissão quando entra

num condomínio na orla gaúcha.

Empresário não é empresário,

advogado não é advogado, dentista

não é dentista.

A mudança se deve ao

temperamento do que resultado da

aparência. Não é porque os moradores

estão de bermudas, camisetas, roupas

de verão.

Ao passar pelo portão, eles se tornam

o que sonhavam ser quando crianças.

Ou que não conseguiram ser quando

adultos. Recuperam o tempo perdido.

Não sei se é efeito da maresia ou da

liberdade das férias. Acontece alguma

mágica, são vítimas de alguma bomba

de gás  felicitante.

Uma casa no litoral desperta

vontades secretas, reprimidas,

ambições escondidas. Tudo o que

não teve chance de ser feito brota

nas margens marítimas.

O livro adiado toma forma, as cores

habitam as telas brancas.

Não é mais o sustento da família que

manda, não é mais o emprego que manda,

não é mais a obrigação financeira que

manda. O que prevalece é a liberdade

vocacional, o desejo de aprender novas

habilidades.

Aquele que nunca nadou decide

mergulhar não prendendo o nariz, aquele

com curiosidade em jogar capoeira se

arrisca no berimbau, aquele que recusava

subir em uma bicicleta rompe o medo

do desequilíbrio.

Quem era casmurro fica alegre quem

era silencioso fica loquaz, quem era

preguiçoso fica esportista.

Reconciliações são possíveis, resgates

de identidade são comuns à

beira-mar. Pai que não tinha folga

para brincar estará em cima de

uma boia de jacaré, surpreendendo

suas crianças com ataques imaginários.

Mãe, sem brecha para a família,

convidará sua filha para longas

caminhadas ao entardecer.

Haverá transformações incríveis,

mutações generosas. Impregnadas

de calma, distanciadas da pressão da

rotina, as pessoas se ampliam,

se modificam, se aperfeiçoam.

Correspondem às suas expectativas,

não mais aos anseios dos outros.

Você pode enxergar cabelereiro

montando seu jardim, podando plantas

e colecionando orquídeas. Você pode

enxergar engenheiro envolvido em

marcenaria na garagem, aplainando

aviões e carros de madeira. Você pode

enxergar fonoaudióloga conferindo

estrelas em um telescópio na varanda.

Você pode enxergar economista

costurando bordas em toalhas de mesa.

Aquela profissão, capricho ou atividade

que jamais ganhava atenção é

finalmente realizada. Aquele amor

ou amizade em segundo plano tem

agora espaço para crescer.

A praia é uma casa de câmbio.

Troca-se tempo por tranquilidade.

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