A Austrália que não cabe no Brasil

Desde que o Vai pra Praia! mudou de mala e cuia para Austrália, na praia de Manly, várias outras coisas também mudaram. Faz tempo que recebo comentários, e-mails e sugestões de amigos e leitores para falar um pouco mais da vida, cultura e costumes daqui e da vida na praia.

Cada vez que sento na beira da praia ou mesmo na sacada do apartamento, observo e aprendo um pouco mais sobre esse lugar e as pessoas daqui.

Então, o post de hoje é uma relação de algumas percepções de coisas interessantes, curiosas, legais e outras nem tanto, do que tenho visto por aqui e que, de forma alguma, seriam possíveis de acontecer no Brasil. Não nessa vida, pelo menos.

Não se atrase para o dia!

Você pode achar que será difícil se acostumar com a diferença de fuso-horário, mas logo vai perceber que difícil mesmo é entrar no ritmo diário dos horários dos australianos que são completamente diferentes do Brasil. Aqui o dia começa e termina muito cedo. Você nunca vai se sentir infeliz e solitário se tiver que sair às cinco da manhã de casa para trabalhar, no meio da escuridão. Essa hora muitos cafés já estão abertos e cheios e a beira da praia está repleta de atletas e gente comum praticando algum exercício ou passeando com cachorros. Por outro lado, às 19h já é hora de jantar e às 21h, quando você pensaria em se preparar para ver a novela das nove no Brasil, quase todos os australianos já estão na cama. As baladas começam e terminam muito cedo. Com suas exceções, claro. Festa em casa, com churrasco, amigos e música? Só até às 23h. Caso contrário, além dos seus convidados, você terá que receber a polícia também.

blog Vai pra Praia na Austrália

A hora que o dia termina.

Sobre chaves, cadeados, liberdade, segurança e afins

Imagine chegar do Brasil para morar em uma casa onde não existem chaves. Prédios onde não existem garagens para guardar os carros. Pois sim. É exatamente isso que acontece aqui. Em alguns casos você até recebe as chaves do apartamento, quando alugado em imobiliária, como foi o meu caso nesse apartamento que moro agora. A diferença é que ninguém as usa. As pessoas passam o dia todo fora de casa com portas e janelas destrancadas e muitas vezes escancaradas para pegar o sol do dia.

Onde dormem os carros? Na rua. Na beira da praia. Somente alguns prédios bem novos tem garagem para todos os apartamentos, com vaga para um carro e olhe lá! Restaurantes com estacionamento também é coisa rara por aqui. Até porque, ninguém pode ir de carro a um lugar onde se pretende beber.

Com tudo, tem um lugar onde não se pode entrar e nem sair sem chave! A academia. Ela fica aberta 24 horas por dia, sete dias por semana. E, para treinar, basta você passar sua chave com chip no leitor da porta. Simples assim. Posso estar sendo pessimista, mas definitivamente não consigo visualizar isso acontecendo no Brasil. Talvez duas horas de teste seriam suficientes para não restar nenhum peso, anilha ou colchonete para contar a história. Armários com cadeados? Também não trabalhamos.

E o que fazer com as chaves do seu carro enquanto você surfa?

Já escrevi em outro post dia desses (https://vaiprapraia.wordpress.com/2014/06/12/o-amor-esta-no-mar/) que, por aqui é raro de se ver namoradas esperando por surfistas na beira da praia. Tudo bem que por aqui tudo é muito seguro. Mas ninguém abusa e deixa sua chave do carro dando mole na areia. Dia desses, me deparei com uma invenção muito legal e, consultando alguns praticantes do esporte, fui informada de que apesar de conhecido, não é um assessório facilmente encontrado no Brasil. E me corrijam os surfistas caso eu esteja errada.

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Nesse cadeado você guarda as chaves do carro e esquece da vida no mar. Alguém visualiza isso acontecendo nas praias do Brasil? Na certa você voltaria do mar e das duas uma: ou encontraria seu carro sem roda e aberto ou nem sequer veria seu carro novamente. Aqui as pessoas simplesmente confiam e se vão surfar. Malucos ou não, é assim que é.

Do postinho para casa, tomando uma cerveja

Esqueça!

Abstraia esse momento relaxante da sua vida. E como sinto falta disso aqui. Quantas vezes, nos finais de tarde das sextas-feiras, saí semimorta do treinamento funcional diretamente para o postinho atrás de uma cervejinha bem gelada antes de terminar de arrumar as malas da praia.

Aqui não se compra cerveja em posto, nem em mercado. E muito menos se pode caminhar pelas ruas, arrastando as Havaianas e tomando uma inocente cerveja.

Proibido!

Para beber é necessário ir até as lojas que só vendem bebidas alcóolicas e que, por sua vez, também fecham cedo, pagar caro e levar tudo fechadinho para casa. Nenhum golinho antes.

A segunda alternativa é beber em algum bar. Mas também não se pode passar da conta, pois você pode ser proibido de continuar bebendo mesmo pagando e, na pior das hipóteses ser posto para fora do lugar. Ou seja, encher a cara por aqui exige certo planejamento. O que não quer dizer que por isso as pessoas bebem menos, né?! Para tudo sempre se dá um jeito nessa vida.

É claro que essa lista de observações não termina por aqui. A cada dia que passo na praia, no trabalho, na escola, na noite ou no supermercado, vejo como tudo é muito diferente por aqui. As vezes muito melhor. As vezes muito pior. Mas sempre diferente.

Novos posts virão e aguardo ansiosa as dúvidas dos curiosos e comentários dos experientes e metidos no assunto “morar na praia e longe de casa”.

Beijo grande praieiros!

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2 pensamentos sobre “A Austrália que não cabe no Brasil

  1. Adorei amiga! Tenho uma prima que já mora aí faz muito tempo…e estas questões que você colocou são algumas das coisas que a fazem não querer voltar pro Brasil. Ela tbm ama praia e ama morar aí.
    Fico feliz por vc.
    Aproveita muito.Bjus

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