Não de repente, 30

Hoje eu acordei com 30 anos!

Sim, trinta. TRINTA!

Esse ano não tem a torta de bolacha da mãe e nem pastelzinho feito em casa pela vizinha da frente. Não tem as flores do meu pai e nem o abraço desajeitado do meu irmão. Não têm as buzinas dos carros das amigas chegando para a festa na minha casa porque, pela primeira vez em três décadas, estou longe de casa.

Mesmo assim, fazer trinta é tão legal, sabe? Não posso dizer que “quando vi, estava com 30 anos”. Não foi de repente. Foi lento, longo, bom e inesquecível. Posso dizer sim, que sempre adorei cada idade que tive e agora já amo os meus 30 também. Rugas? Não tenho. Cabelo branco? Também não. Mas também nunca procurei um. Crise dos 30? Se isso significa largar uma vida pessoal e profissional toda certinha para vir morar na Austrália, na beira da praia, sim. Eu tive uma. E das grandes. Mas, como em todas as crises bem administradas por uma relações públicas, acho que serviu e ainda está servindo para o meu crescimento como ser humano. Se não para o crescimento, para uma grande mudança pela qual sei que preciso passar

Sou boa de datas, mas não sou boa com números. Ao mesmo tempo que sei que 30 é um número alto, não me preocupo com ele. Não conto os números atingidos até aqui e sim as experiências vividas. Conto cada meta profissional atingida, cada verão e inverno amados em Tramandaí e na Praia da Rosa. Conto as histórias inacreditáveis, os amores eternos de uma noite, uma semana, um verão ou de quase 30 anos. Não conto as lágrimas que derramei com a minha melhor amiga no Rosa Sul, na virada de cada ano, assim como também não conto quantas garrafas de espumante quente tomamos juntas e sujamos os cabelos.

Não conto os longos anos de amizade que conquistei de muitas pessoas. Conto os momentos maravilhosos que cada amigo (a) me proporcionou até aqui, sendo esses por anos ou por minutos que foram inesquecíveis. Conto cada silêncio de compreensão que recebi e cada abraço carinhoso quando foi necessário.

Não conto quanto já gastei. Sei que foi muito. Estudando, bebendo, comprando, emprestando, viajando, comendo e com remédio de enxaqueca. Só sei que ganhei tudo de novo. Pelas minhas próprias pernas e minhas próprias ideias. Ganhei tudo de novo, para gastar tudo de novo. Afinal, eu não sou boa com números.

Completar 30 anos me faz tão feliz porque sei que algumas coisas me fazem tão criança e outras tão velha. Velha e louca para muitos.

Troquei um emprego de terninho e crachá por um de bartender na praia, ao mesmo tempo que gosto de beber chá de pantufas quando chego em casa. Troquei um carro por uma bicicleta com cestinha. Mas não saio à noite se está muito frio. Saí da casa dos meus pais e pago minhas próprias contas na Austrália, mas compro massa em formato de dinossauro e biscoito de ursinho. Diminui meus gastos com restaurantes e baladas e gasto tudo em tênis, bonés, biquínis, mochilas e moletons de capuz. Faço cafés lindos para adultos mas, fico feliz mesmo quando entrego um sorvete cor de rosa para uma menina fantasiada de princesa.

Para quem sempre amou fazer aniversário, esse ano o meu está sendo diferente de todos os outros 29.

Tenho a beira da praia como meu salão de festas e três amigas maravilhosas como minha família e me fazem sentir especial e importante de verdade.

família na austrália blog Vai pra Praia

Tenho um trabalho que eu adoro para pedir folga e um milhão de motivos para comemorar. Tenho muitos sonhos para realizar, muitas praias para conhecer, muitas pranchas para fotografar, esportes para aprender, histórias para começar e mais ainda para terminar.

Comecei meu aniversário de 30 anos ganhando um presente maravilhoso: uma noite linda, não tão fria, com um mar com ondas azuis neons inexplicáveis, que me fizeram chorar de emoção e gritar de susto, abandonar minha bicicleta e minhas sacolas cheias de cerveja, sair correndo na areia e largar os meus balões com meus pedidos para o mundo para mais um ano de vida. Novos 365 dias para fazer tudo novo ou tudo de novo.

Valeu vida! Te amo!

família na Austrália blog Vai pra Praia!

Ondas azuis para os meus 30. Manly Beach.

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