Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

A resposta para esse paradigma parece óbvia, não? Ainda mais quando você só precisa responder marcando um “X” na alternativa que mais lhe parece correta em um teste de revista do tipo Você S/A. Fácil. Ninguém quer viver para trabalhar. Você pode até amar o seu trabalho, sua profissão, sua empresa, enfim, mas, o que todo mundo quer mesmo é chegar em casa correndo, depois de longas horas de comprometimento profissional e sair correndo para a liberdade. Na beira da praia, de preferência. Trocar o salto alto por uma Havaianas, o notebook pela prancha ou pelo skate. Substituir o bronze do blush pelo queimadinho do sol. Borrar o rímel da reunião com um mergulho no mar.

Mas nem sempre escolher a melhor resposta significa viver de acordo com ela. Dizer que você não se importa é bem diferente de você realmente não se importar.

O mundo anda cheio de gente que troca de trabalho como quem troca de bermuda, faz o básico que precisa durante oito horas e depois dá o fora, como se nada tivesse acontecido.

Mas, para quem realmente se importa, seja com a empresa, com a qualidade do serviço prestado, com os colegas, com os chefes ou mesmo com o dinheiro a ser recebido, torna-se mais complicado virar as costas, deixando aquele famoso bilhete “adeus, fui morar na praia”.

Até onde vai o seu limite? Até que ponto você pode ser flexível e ceder? Quanto vale a pena o dinheiro que você recebe? Quantas horas do seu tempo você dedica a quem, talvez, não saiba a importância que isso tem para você, onde você mora, quem são seus pais, seus filhos, o que você gosta de fazer nas horas vagas e qual a sua praia preferida?

Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

A discussão para essa pergunta surgiu em uma noite de folga na Austrália. Com gente de todos os cantos do mundo. Com opiniões em português, espanhol, inglês e italiano. E a promessa foi de que ela viraria um post no Vai pra Praia!

E, para quem pensa que é preciso sair do seu país e viver uma vida totalmente diferente, aprender a pensar e agir diferente, afirmo que não. Tudo depende do quanto você se importa com você mesmo, com sua vida e quanto tempo você reserva para pensar sobre isso e fazer diferente quando não está bom.

Aos poucos a gente vai aprendendo a respeitar os nossos limites. A ouvir os sinais do nosso corpo. Físicos e psicológicos. Faz parte do crescimento. E, feliz de quem se dá a chance de parar para refletir sobre o rumo que a vida toma. Dá trabalho, mas vale a pena!

Hoje eu disse NÃO. Disse NÃO para os meus desafios e disse SIM para a minha sacada à beira mar.

Hoje eu lembrei de todos os conselhos recebidos ao longo da vida em apenas três minutos. Da mãe, da ex-chefe, das amigas e dos entendidos do assunto “ser humano”. Respeite a si próprio, aprenda a dizer não, cuide de você mesmo, afaste-se do que lhe faz mal. E, lembrando disso tudo, temi pelo futuro ao mesmo tempo que senti orgulho da minha atitude no presente.

trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

A gente diz NÃO para tanta coisa legal… Diz NÃO para a praia em um dia de sol e altas ondas porque tem que trabalhar, NÃO para as amigas porque está cansada, NÃO para o possível amor da sua vida porque ele deu uma pequena escorregada. É ou não é?  E, ao mesmo tempo, diz SIM para outras coisas que nos agridem e nos dão apenas dinheiro em troca.

Hoje, mesmo com um frio na barriga sobre o futuro, sinto orgulho de mim. Para dizer NÃO é preciso coragem. Não só para dizer, mas para arcar com as consequências que um NÃO te traz.

Que venham as portas abertas depois da janela fechada!

Que venham as perguntas que nos fazem refletir sobre quem somos, o que fazemos e para onde vamos. Que venham as respostas! E que tenhamos a ousadia de sermos nós mesmos e seguirmos essas escolhas.

Que a gente busque mais respostas em frente ao mar do que em frente ao Google. Que a gente abrace mais de verdade e curta menos virtualmente. Que a gente sinta mais do que demonstre em fotos. Que a gente reflita mais, se cuide mais e se ame mais!

A escolha é sempre livre e gratuita.

Faça a sua: trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

 

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Um pensamento sobre “Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

  1. amiga, vou sempre me identificar com as histórias de vocês, não somente por já ter feito algo muito parecido com o que vocês estão fazendo, como também por sentir que faço um pouco disso tudo de novo. Quando me perguntam porque eu vim pro Rio e não pra SP (pra ganhar dinheiro) eu tenho que me explicar, e dizer que foi uma escolha de vida, às vezes me justifico inclusive dizendo que talvez um dia eu decida ir pra São Paulo ganhar dinheiro… Mas não posso disfarçar o meu orgulho de sair do trabalho as seis da tarde e me preocupar com a minha vida, tentando fazer mais de menos, com muitos perrengues sim, mas esperando que as portas logo se abram… Um passo pra trás para sabe-lá quantos mais a frente…
    Um beijo grande! Confia e vai!

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