Você Me Faz

“Mais um devaneio docinho, trazido pela maresia e pelas ondas do mar”.

Eu gosto de estar comigo mesma. Sempre adorei a minha independência e todo o meu mundo cheio de “eu mesmices”.

Gosto de organizar e seguir a minha rotina, de sair e voltar para casa na hora que bem quiser, suada e horrorosa da academia, carregando compras do super. Amo ficar em casa com meu pijama confortável, não sexy e meu creme hidratante do rosto, assistindo a qualquer coisa na TV que me faça esvaziar a cabeça.

Gosto de deitar do lado que eu escolher da cama e ver os livros todos ali, empilhados do meu lado, prontos para serem lidos antes de dormir. Me faz bem acordar sozinha em casa e transitar por todos os cômodos enquanto tomo café e ouço as notícias da TV, tomando decisões sobre o dia: qual vai ser a praia da vez, se lavo as roupas pretas ou coloridas e se passo protetor solar antes de sair de casa ou na beira da praia. Gosto de tudo isso que parece estar absolutamente sob meu controle e comando. E, de preferência, tudo necessariamente na mesma ordem.

Mas aí veio você. Ah você!

Chegou e tenta, mesmo sem saber, bagunçar minha rotina diariamente. E confesso que, ultimamente, tenho achado estranho gostar tanto de ir para casa com você, quando você me puxa pela mão e me leva embora da festa, mesmo que seja no meio da melhor música. Tenho adorado estranhamente fazer a sua camiseta de meu pijama e da sua cama a minha.

Tenho ignorado o fato de pegar no sono antes de tirar a maquiagem por não querer sair do seu abraço. Não me deixa mais de mau humor o fato de acordar mais cedo do que deveria por conta do seu despertador, se for para ganhar um beijo e um carinho de bom dia antes de você sair para trabalhar no meu dia de folga.

Não me preocupo com o que os vizinhos vão pensar, me vendo pela terceira vez na semana, arrastando a minha dignidade pela rua, enquanto caminho da sua casa para a minha, com a roupa amassada do dia anterior e a cara de apaixonada amanhecida.

Bem, para falar a verdade, eu não estou nem aí.

Acho que é isso. Você me faz sair da linha. Bagunça a minha organização. Me deixa com cara de boba. Me inspira para voltar a escrever.

E sabe o que mais? Não, você não sabe. Você não tem nem ideia. Mas eu vou continuar não controlando meu riso de canto de boca e cantando para mim mesma toda vez que você me escrever perguntando sobre o meu dia. Mesmo que muito tempo se passe.

E quero que meu coração continue pulando de susto e alegria toda vez que você prender as minhas pernas entre as suas por baixo da mesa, com um sorrisinho no canto da boca, no meio de um jantar despretensioso entre amigos.

Não. Você não sabe. E eu tão pouco sei o que fazer com isso. Mas você me faz querer ficar, me faz querer não ir. Querer de novo gostar.

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