Morar sozinho e fugir de casa

“Fugir da própria casa faz a gente respirar mais fácil, olhar o comum com olhos de novidade”.

Quando decidi morar sozinha e na praia, achei que me veria livre de uma vez por todas do desespero de fazer uma trip todo final de semana, feriado e férias.
Me enganei.

Morar na praia ajuda. E como! Jogar os sapatos do trabalho num canto e arrancar a roupa no fim do dia, trocando tudo por um biquíni e encontrar o mar em questão de cinco minutos facilita a vida e faz até a gente empinar o nariz de orgulho de si mesma. Mas não é tudo.

Nada, até hoje, substitui a sensação de jogar uma roupa qualquer  na mala, bater a porta de casa e correr para algum lugar com destino à felicidade. Seja por três dias ou um mês, o ato de arrastar uma mala sozinha no saguão do aeroporto me abre os pulmões, oxigena o cérebro e faz trocar o nariz empinado por um beijo no ombro. Sem menção a nenhum funk aqui, ok?
 

Trocar a localização no gps, ser visita na casa de quem se gosta e sente saudades, andar sem conhecer as ruas, virar em uma esquina qualquer e dar de cara com o possível amor da vida ou com uma praia nova que pode vir a ser a minha nova preferida. Ver coisas, casas, cafés e pessoas diferentes que arejam as ideias e contam coisas simples das quais eu não fazia nem ideia. Perder-me no tempo juntando conchas da areia para levar pra casa e decorar a sala. Jogar conversa fora sobre temas fundamentais e fúteis na sacada dos amigos olhando o mar.
Fugir da própria casa faz a gente respirar mais fácil, olhar o comum com olhos de novidade.
É uma sensação de ventania passando pelo quebra- cabeça de cinco mil peças que estava 90% concluído em cima da mesa da sala quando fechei a porta. Faz repensar planos a longo e curto prazo.
E, mesmo sabendo que não dá para morar para sempre na casinha da árvore (aquela para a qual eu fugia quando criança e que hoje chamo de férias), a vontade de ficar um pouco mais sempre dá uma apertadinha no peito.

 
Mas sair de casa fugida me faz querer voltar também. Encontrar o meu canto à minha espera, meu lugar na beira da praia que segue intocável e as pessoas importantes pra mim. O quebra-cabeça, aquele de cinco mil peças que foi destruído pela ventania, talvez não faça mais sentido. Vai ser substituído pelas conchas do mar trazidas da viagem.

 

Muito melhor!
Vai pra Praia Gold Coast Australia

P.S.: um beijo especial para todos os meus amigos que sempre me recebem tão bem na Gold Coast e sempre me fazem querer ficar.

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