Não é só o amor. É o lifestyle.

Confissões de uma Maria Parafina

O papo foi bom e, com as cervejas que ele fez questão de pagar durante a primeira noite, ficou ainda melhor.
O beijo foi uma conexão deliciosa e rápida para um intensivo de noites de bar em bar, encontros, jantares e mensagens que preenchiam o dia até a chegada do próximo momento juntos que passou a virar rotina.
O mês passou voando sem tempo para se perceber o tamanho ou espécie dos sentimentos envolvidos. Tudo foi sendo levado como mais um dia normal na vida deles dois.

Até que os dias normais ganharam um off.

E com um dia juntos na praia tudo mudou.
Ela que grita aos quatro ventos o orgulho de sua independência, entrega nas mãos dele o carro, sua cadeira de praia e todos os planos do dia. Passando de praia em praia ela vai ficando mais feliz. Aquela felicidade simples, pequena, que a deixa em silêncio. Como se tivesse saboreando internamente cada minuto daquele sentimento.
Mas é depois de conversarem, dormirem no sol abraçados, que ela se realiza. Feliz ela fica quando, no fim de tarde, o swell entra e ele se vai.
Porque mais do que gastar horas juntos, ela se completa observando ele no ritual do surf. Ela gosta do cheiro e do barulho da parafina sendo raspada na prancha. Gosta de ficar responsável por tudo que é dele enquanto ele surfa. O beijo de despedida faz ela morrer de saudades mesmo sabendo que estarão juntos depois de algumas ondas. E ela curte cada momento dessa saudade com os olhos vidrados no mar.
Ela acredita que esperar ele sair do mar é um tempo investido e não perdido. Porque sabe que ele pode demorar, mas vai chegar feliz e morrendo de saudades, com um beijo molhado e salgado. Do jeito que ela gosta.

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Para Bali, com Amor.

Há exatos dois anos, quando voltei da minha primeira viagem a Bali, sofri certa pressão externa de gente a espera de um post com dicas de viagem e sugestões do que fazer nessa trip dos sonhos. Ignorei as solicitações dos curiosos porque admito que não consegui escrever. Simplesmente não rolou. Guardei todo o meu amor por aquela ilha só pra mim.
Agora, de volta de Bali mais uma vez, passei pelo mesmo dilema. Me vi sem palavras diante de uma tela em branco, pensando sobre esse lugar encantado.
Eu, que sempre tive palavras afiadas para tudo, fico sem saber o que dizer para ou sobre Bali.
Talvez porque tudo tenha sido tão único e especial que, externar em palavras parece pouco, insuficiente. Queria engolir Bali em um único gole de Bintang. Jogar palavras ao vento me dá a impressão de tirar o que vivi de dentro de mim e que não quero perder. Cultivar esse sentimento bem quietinho para ver se ele se multiplica, é o que tenho tentado fazer.
Ao mesmo tempo, escrever sempre fez manter meus sentimentos mais vivos. E Bali, certamente merece as minhas palavras já que saí sem me despedir direito, com medo do adeus.

Bali, sua linda!
Tuas ruelas sinuosas reservam uma surpresa a cada curva, em um sobe e desce interminável de motos, pranchas, surfistas, cabelos longos esvoaçantes e embaraçados, ao som do mais alto “businês”, guiando todos em um vai e vem desorganizado pela linha do meio.
Teu cheiro de praia, parafina e protetor solar misturado com o  incenso, as flores e o arroz oferecido aos deuses três vezes ao dia, se mistura com o Gudan e a ressaca que se espalham no teu ar e se dissolvem na tua água salgada diariamente.
E falando na tua água salgada, abençoada seja ela!
Tuas praias têm um não sei que de maravilhoso, escondido e único. Teus corais e ondas perfeitas exibem o mais lindo elenco do surf que meus olhos já sonharam em ver. Tua maré coordena meus dias, juntamente com o pôr do sol, capaz de me fazer um ser pontual só para não perder teu espetáculo diário e gratuito.
Teu povo é absolutamente acolhedor, engraçado e curioso sobre tudo. Gente que faz eu me sentir em casa, que tem musiquinha para falar meu nome e que admira a maneira que a gente te adora.
Bali, sua linda, tu transborda amor! Tanto amor que me deixa atrapalhada.
Para uns, um amor a cada quebrada. Com outros, paixão fulminante, de fazer perder a razão, cancelar vôos e mudar roteiros. De viagem e de vida.
Tua magia ri na cara do medo, rasga planos e faz acontecer até o impossível.
Obrigada Bali. De verdade. Obrigada por ter me trazido de volta à mim.
Como prometido e já cumprido anteriormente, a gente se vê logo em breve.

P.S.: E as dicas do que fazer em Bali? Ops! Apenas para lembrar que esse blog dá dicas de informações NÃO turísticas. Aqui se fala de experiências. O resto, o Google ajuda.

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Sunset Single Fin – Uluwatu

 

O Meu Lugar

E quando eu me senti sozinha, foi em ti que pensei.
Quando me senti deslocada foi contigo que quis estar.
Mais um ano e meio se passou e, mesmo que tantos te vejam diferente nos últimos tempos, entre nós nada mudou.
É pelas tuas ruelas esburacadas que caminho sozinha e distraída para me reencontrar com minha essência mais verdadeira.
É respirando teu cheiro de verde e terra e mergulhando no teu mar gelado que recarrego forças.
É sozinha contigo que me encho do amor mais puro e em silêncio encontro tantas respostas que nunca encontrei conversando com ninguém.
Caminhando na tua areia fofa eu traço meus próximos passos. Os mesmos que me levam para longe de ti em breve mas que, cedo ou tarde, me trarão de volta cheia de saudades.
Obrigada por continuar sendo o meu lugar no mundo!

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Vamos viver de amor, por favor!

Dia desses, viajando na minha bolha e observando um casal que morava em uma van na beira da praia, parei para pensar que loucura de vida era aquela.

Os dois descalços, com os cabelos emaranhados de sal, sol, areia, parafina e sei lá mais o que, uma bacia d’água no chão ao lado da van para “lavar” a louça do almoço, umas toalhas desgraçadas secando na porta aberta e enferrujada daquela van que, com tanta coisa que tinha dentro, ainda servia de morada para os dois.

Eles pareciam super concentrados em suas tarefas “do lar”, tentando deixar tudo dentro de algo que chamavam de organização. Fiquei ali viajando, olhando pra eles e pensando que  vida insana era aquela. Foi quando, no meio da arrumação, eles pararam tudo o que estavam fazendo, se abraçaram e beijaram e ficaram, por um longo tempo, olhando a série que entrava no canto esquerdo da praia. O sol iluminava de leve o rosto deles e ninguém dizia nada. Um silencio profundo  que explicava mais do que as palavras poderiam.

Vendo aquela cena, quem se sentiu errada, fora do contexto e louca fui eu.

Saí da bolha do casal e voltei pra minha, pensando que eu tinha que voltar pra casa, pendurar as toalhas felpudas no varal, botar a louça na máquina, tomar uma banho quente de chuveiro, correr atrasada para o trabalho, achar uma vaga para estacionar, brigar com as pessoas que não trabalham direito, explicar para o meu chefe porque as pessoas não trabalham direito, dedicar toda a minha simpatia aos clientes, toda a minha paciência ao meu chefe, responder aos e-mails atrasados e deletar os muito atrasados, trabalhar horas extras, correr para a academia, levantar o máximo de quilos que puder, correr o mais rápido que puder, fazer compras no supermercado, voltar pra casa e encontrar uma brecha na agenda para atravessar a rua e  ficar na beira da praia de novo.

Para tudo! Eu também quero viver de amor!

Foi quando me dei conta que, não só eu, como muita gente corre desesperado e faz da vida uma maratona, sendo que o que se quer alcançar, no fundo, só exige um pouquinho do nosso tempo livre. Mas o que me intriga mesmo é como se conserta isso tudo? Será que a gente deve simplesmente apertar um stop e ficar ali, em uma van na beira da praia esperando tudo acontecer? E enquanto não acontece a gente faz o que? E se nada acontecer? E quando a gente tiver uma van e um amor, qual vai ser o próximo passo? Ou vai ver, o dia que a gente tiver um amor e uma van, não vamos querer saber de um próximo passo. Será? Não sei.

O fato é que, no fundo, as pessoas menos ambiciosas são as mais corajosas. Fácil é correr atrás da vida, bater metas, seguir processos e uma rotina maluca. Para viver de amor e só, é preciso calma, coragem, muita coragem para não se importar em lavar a louça na bacia ou dormir amassado no meio de um monte de malas e pranchas. É preciso relaxar o suficiente para que o amor te ache despercebido. Assim, como com que não quer nada, na beira da praia, em um fim de tarde ao pôr do sol.

E aí? Quem se arrisca?

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Morar sozinho e fugir de casa

“Fugir da própria casa faz a gente respirar mais fácil, olhar o comum com olhos de novidade”.

Quando decidi morar sozinha e na praia, achei que me veria livre de uma vez por todas do desespero de fazer uma trip todo final de semana, feriado e férias.
Me enganei.

Morar na praia ajuda. E como! Jogar os sapatos do trabalho num canto e arrancar a roupa no fim do dia, trocando tudo por um biquíni e encontrar o mar em questão de cinco minutos facilita a vida e faz até a gente empinar o nariz de orgulho de si mesma. Mas não é tudo.

Nada, até hoje, substitui a sensação de jogar uma roupa qualquer  na mala, bater a porta de casa e correr para algum lugar com destino à felicidade. Seja por três dias ou um mês, o ato de arrastar uma mala sozinha no saguão do aeroporto me abre os pulmões, oxigena o cérebro e faz trocar o nariz empinado por um beijo no ombro. Sem menção a nenhum funk aqui, ok?
 

Trocar a localização no gps, ser visita na casa de quem se gosta e sente saudades, andar sem conhecer as ruas, virar em uma esquina qualquer e dar de cara com o possível amor da vida ou com uma praia nova que pode vir a ser a minha nova preferida. Ver coisas, casas, cafés e pessoas diferentes que arejam as ideias e contam coisas simples das quais eu não fazia nem ideia. Perder-me no tempo juntando conchas da areia para levar pra casa e decorar a sala. Jogar conversa fora sobre temas fundamentais e fúteis na sacada dos amigos olhando o mar.
Fugir da própria casa faz a gente respirar mais fácil, olhar o comum com olhos de novidade.
É uma sensação de ventania passando pelo quebra- cabeça de cinco mil peças que estava 90% concluído em cima da mesa da sala quando fechei a porta. Faz repensar planos a longo e curto prazo.
E, mesmo sabendo que não dá para morar para sempre na casinha da árvore (aquela para a qual eu fugia quando criança e que hoje chamo de férias), a vontade de ficar um pouco mais sempre dá uma apertadinha no peito.

 
Mas sair de casa fugida me faz querer voltar também. Encontrar o meu canto à minha espera, meu lugar na beira da praia que segue intocável e as pessoas importantes pra mim. O quebra-cabeça, aquele de cinco mil peças que foi destruído pela ventania, talvez não faça mais sentido. Vai ser substituído pelas conchas do mar trazidas da viagem.

 

Muito melhor!
Vai pra Praia Gold Coast Australia

P.S.: um beijo especial para todos os meus amigos que sempre me recebem tão bem na Gold Coast e sempre me fazem querer ficar.

Desculpa, foi engano

Uma vez fui envolvida pela empolgação do meu grupo de amigas e acabei comprando férias para Porto Seguro. Tudo parecia lindo e atrativo: viagem, amigas, praias novas e tudo mais. Mas, desde o começo do planejamento, aquela trip me deixou com uma maldita pulga atrás da orelha. Quais seriam as programações mesmo? Café da manhã de hotel, passeio de chalana, mangue de caranguejos, complexos gigantes com bastante cerveja e aulas de dança na beira da praia e festas. Muitas festas!
“E o mar lá como é?”, perguntava eu, influenciada pela tal pulga. “Uma delícia! Super quente e sem ondas. Parece uma piscina”. Poff! Sinal de alerta!
Chegando no tão esperado paraíso, como já era um pouco previsto, vi que minha trip tinha sido um engano. Sabe aquela clássica? “Não era amor, era cilada”? Pois é. Essa mesma.
Praias muito bonitas sim. Mas com a água do mar mais quente que a do chuveiro e sem ondas. Nadinha. Nem pra pegar jacaré. Zero chances de ver uma prancha desfilando por lá. Na areia, mesas e bares por toda a extensão. Gente vendendo até a mãe através de versos rimados, dançando axé até o chão e tomando cerveja ao mesmo tempo.
Ainda bem que quem tem amigos tem realmente tudo nessa vida e, graças às companhias perfeitas a trip se salvou e rendeu boas histórias.
Mas parece que, no fundo, a gente sempre sabe quando algo vai ser engano. E, mesmo assim, seguimos ignorando o sinal de alerta.
Sabemos de antemão quando um lugar não vai agradar, quando achamos que vimos uma pessoa conhecida na rua e, no fundo, não era quem a gente pensava.
Achamos que super vamos nos dar bem com alguém que tem todo o potencial para amor da vida e, quando vê, somos de novo surpreendidos por atitudes nada surpreendedoras que fazem a gente se dar conta que, de novo, foi engano.
Toda vez que passo por uma situação dessas, a decepção comigo mesma é tanta que prometo à mim mesma nunca mais me deixar enganar. Lembrar detalhe por detalhe da cilada passada para usar de aprendizado para uma próxima.
A verdade é que, avaliar enganos para aprender com eles é positivo, mas viver para remoê-los é muito pesado. Mesmo com medo de cair em um próximo engano, a gente sempre quer se apaixonar por uma praia nova, por uma paisagem nova, por uma sensação ou por uma pessoa nova. Mesmo mantendo as favoritas no espaço mais VIP da nossa vida. E pra isso é preciso tentar.
E é aí que a vida vai acontecendo. Nesse meio tempo em que tentamos aumentar a nossa lista de praias favoritas, diminuir o número de enganos com as pessoas das quais gostamos e aprender com cada um deles enquanto as marés sobem e descem, as luas mudam de fases e enquanto ganhamos, a cada amanhecer, uma nova chance de fazermos tudo melhor para nós e para os outros, mais uma vez.

telefone na praia

P.S.: Um beijo especial com muito carinho para as minhas amigas invencíveis que aguentaram todo o meu mau humor nessa trip, reclamando de tudo e que não só nessa, como em todas as nossas férias, fizeram e fazem a minha vida mais feliz.

Praia para o café!

Dia desses fui chutada da cama pela minha insônia, ansiedade e dor de garganta. Me joguei em um biquíni e saí de casa meio cambaleando de sono, agarrada na minha cadeira de praia.
Já com os meus pés na areia e meio que toda molhada por uma onda que me fez acordar quando só queria molhar os pés, me dei conta de quanto tempo fazia que não chegava na praia tão cedo.
Explicar o clima da praia de manhã é tão difícil e inútil quanto explicar um dia de domingo. Não importa o que você faça ou onde você esteja, domingo vai sempre ter a mesma cara, goste você ou não (eu mesma tenho pavor!). Se está de férias, em casa ou viajando. Se acordou cedo, para o almoço em família ou de ressaca às 15h. É sair pra rua, ligar a TV ou dar de cara com a primeira pessoa na sua frente que o ar do domingo vai lhe tomar conta.
A praia de manhã também tem uma cara só dela, um ar só dela, uma maresia e um público só dela. Quase todos que pulam da cama para estarem na praia logo cedo têm um propósito. Surfar, caminhar, correr, nadar, ler o jornal, levar as crianças, levar o cachorro, meditar.
As ondas são as melhores do dia. Logo, o mar é super bem frequentado e a areia fica bem pouco povoada porque, quem está por ali, está de passagem, chegando ou saindo por entre as dunas, em um desfile colorido de pranchas infinito. (Aiai… Pausa aqui para um suspiro.)
Por um momento cheguei a me sentir velha me vendo ali com toda aquela imensidão de tanta coisa só pra mim.
Mas, no segundo seguinte, o cenário me remeteu à minha infância na praia. Quando todos os dias eu era tirada da cama bem cedo para ir pra praia, sem nunca entender o porquê daquele desatino familiar.
E aí me dei conta de que meus pais é que sabiam muito mesmo!
Em um fechar de olhos me vi pequena à volta deles, esperando a minha vez na fila do protetor, escolhendo o lugar onde iria construir meu castelo de areia do dia e qual seria o adulto escolhido para me levar “bem no fundão”.
Hoje a praia me fez chorar e rir ao mesmo tempo. Chorar de saudades e rir lembrando de tantos momentos bons que me fizeram a pessoa que sou hoje.

Não porque era na praia. Mas porque era de manhã.

blog Vai pra Praia cedo no mar